quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Olhou para ele mais uma vez, recostando-se teimosamente na poltrona e cruzando os braços com força na frente do peito. Não, não iria se deixar levar novamente pelos olhares oblíquos, pelo sorriso disfarçado, quase inocente. Quase. Tudo o que não havia ali era inocência, e agora ela sabia disso. E fechou seus olhos àquele encanto cruel.
Ele sabia o que estava fazendo, e ela sabia que ele sabia. Sabia que ele gostava da sensação de ter alguma espécie de poder sobre ela. Isso a enraivecia, mas não a ponto de acabar com o desejo de sucumbir àquele poder que a fazia perder totalmente o senso de preservação, e se entregar sem reservas.
Voltou sua atenção para o outro lado, para outra pessoa. Tentou concentrar-se na conversa. Falhou miseravelmente. E sentindo-se a mais fraca das criaturas, voltou-se novamente na direção dele, encontrando seu olhar malicioso à espera, como sempre acontecia quando ela tentava, e, mais uma vez, falhava, em resistir ao seu encanto."

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