quinta-feira, 12 de abril de 2012

23h20.
Ficou exatos cinco minutos com o dedo em cima do botão de "enviar" do celular. Estava de frente pro relógio, seguiu com os olhos cada movimento do ponteiro. Contou cada segundo. Pareceu muito mais tempo em sua dúvida. Valeria a pena? A mensagem, que já tinha sido escrita antes, e apagada inúmeras vezes, estava pronta mais uma vez. O número do destinatário selecionado. Bastava um movimento. 
Não era um dia de coragem. Também não era de covardia. Estava presa em algum ponto indefinido entre ambos.
Ela hesitou. Por cinco minutos. Aquele "ok" em letras brancas parecendo uma ameaça de aniquilação imediata. Andou pela sala, de lá pra cá, de cá pra lá, as mãos bagunçando os cabelos, um hábito estúpido, adquirido há pouco tempo, que costumava repetir quando estava ansiosa ou nervosa. Os olhos sempre presos ao relógio. Pensou no que a melhor amiga havia dito. Pensou no vídeo que havia assistido alguns dias antes, no que a autora favorita havia dito sobre sua personagem favorita. Pensou na música que vinha ouvindo incansavelmente desde o dia anterior. Pensou no que vinha pensando já há vários dias. Pensou, pensou, pensou. Os olhos se fecharam, o relógio sumiu. Seu dedo se moveu, devagar, consciente.
23h25. 
Um movimento. Estava feito.
Num primeiro momento, pânico. Havia mesmo feito aquilo? Havia mesmo escrito aquilo? Havia mesmo enviado aquilo? Onde estava o celular? Onde o havia largado? Havia mesmo enviado aquilo? Ou teria sido apenas um delírio, ilusão de um momento de coragem (ou de insanidade). Sim, havia mesmo enviado aquilo. Então, sem aviso, veio a calma. Veio e ficou. Sentiu-se liberta. Estava feito, não estava mais em suas mãos. Tão tranquilizador, algo que para ela sempre fora tão aterrorizante. Não estava mais em suas mãos.

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