terça-feira, 24 de maio de 2011

Engraçado. Há nem tanto tempo atrás, eu te ligaria às onze da noite de uma sexta-feira, te diria "eu te amo", "estou com saudades", "desculpa se não te liguei mais", a "faculdade tá me matando", ou "eu não tenho crédito", ou as duas coisas. Tu me diria "eu também te amo, Mi", e "eu também tô com saudade", e "não te preocupa, eu também nunca te ligo". Nós duas iríamos rir da nossa pobreza, iríamos lamentar a nossa distância, e ficaria decidido que no dia seguinte, ou tu ia te mudar pra Pelotas, ou eu ia me mudar pra Bagé. Eu iria reclamar da faculdade, e dizer que tava com sono. Ia perguntar do teu colégio, e o que tu andava fazendo. Tu ia me perguntar se eu estava escrevendo, quando eu ia mandar o próximo capítulo da fic, ia falar das provas do colégio e do quanto tu tava louca pra se formar de uma vez. Nós iríamos suspirar, e ficar uns momentos em silêncio, mas não seria estranho, seria só uma pausa, e logo alguma das duas ia achar alguma coisa que não tinha contado ainda. Tu ia falar, falar e falar - já que das duas sempre foi quem falava mais - e eu ia escutar, rir em alguns pontos, fazer comentários e dizer "aham" muitas e muitas vezes. Mesmo eu não falando muito, tu não ia te importar, porque já estava acostumada com isso.
Se eu te ligar hoje, sexta-feira, às onze da noite, primeiro, é provável que tu não atenda. Segundo, ficaremos ambas sem saber ao certo o que dizer, como agir uma com a outra. Semi-desconhecidas, duas pessoas que já choraram juntas, já trocaram confidências.

Não tava nos planos postar isso, mas tu disse que queria ler, Marih, então tá aí. Escrevi já tem um tempinho, e na verdade, parece um pouco com o que tu disse na postagem que fez pra mim, que aliás, é linda. Te amo, e espero nunca mais te fazer chorar! <3

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