Eu estou envergonhada. Sério, ando extremamente relapsa com esse blog, mas principalmente, com algumas pessoas, algumas pessoas que não merecem que eu o seja. Hoje, quase quatro meses depois, percebi que não coloquei aqui nada sobre a carta LINDA que a minha Bah-chan me mandou, perto do meu aniversário. Eu acho que nunca chorei tanto lendo uma carta quanto naquele dia. Sério. Pra começar, ela me enrolou por um tempão, deixou subentendido que tinha mandado, mas nunca confirmava, e como o correio nessa maldita cidade é mais lento do que uma tartaruga manca com cãibra, eu fiquei semanas só na ansiedade. Mesmo sem ter certeza se ela tinha mesmo mandado a carta, olhava a caixinha do correio duas, três vezes por dia, e me decepcionava a cada vez que estava vazia, ou que a única coisa lá dentro era uma conta. Então, exatamente um dia depois do meu aniversário, eu abri a caixinha do correio, pela terceira ou quarta vez naquele dia, mas despretensiosamente, sem qualquer expectativa real, e lá estava, um envelope azul, grandão, com o remetente que eu mais desejei ver nos últimos anos: Bárbara Iticava Ishara. Juro, eu tremia com aquele envelope nas mãos, era como se ele pesasse toneladas, não por causa do peso, de verdade, mas pela importância. Abri o portão, depois a porta, joguei minhas coisas todas em cima do sofá, menos o envelope, não soltei ele nem por um segundo. Abri com todo o jeito, e achei três coisas nele. A primeira coisa que vi foi o marca-página, liiindo demais, tão delicado, com as fotos dela, da Ciih e minha, e as borboletas que ela perguntou se eu gostava. Depois, um embrulhinho beeem embrulhadinho mesmo. Lá dentro, a minha pulseira, delicadinha, a cara da Bah. Três bolinhas, uma reta, três bolinhas, uma reta... tudo com um significado devidamente explicado, mais tarde, na carta. Com a minha tremedeira, demorei três séculos pra conseguir colocar ela no pulso, de onde ela não saiu mais. Na verdade, eu tava desesperada de curiosidade sobre a carta, mas também sabia que precisava me preparar pra ler. Então, depois de finalmente conseguir colocar a pulseira no meu pulso (dããã, ia colocar onde mais, besta?), abri as três folhas de uma carta muito mais linda do que eu poderia sequer sonhar que seria. Esperei dois anos pra receber essa carta, e como disse pra ela, depois, quando nos falamos, eu acho que nunca estive, ou poderia estar suficientemente preparada pra tudo o que eu li, e tenho certeza de que nunca vou conseguir retribuir à altura. Eu sorria... e chorava. Chorava, chorava, chorava, mas chorava de alegria, chorava de felicidade por ter alguém tão incrível na minha vida, alguém tão disposta a dividir comigo um pouco da vida dela, alguém tão disposto a fazer parte da minha, alguém que me dá tanto amor, tanta atenção, mesmo que exista toda essa (maldita) infinidade de quilômetros entre a gente. Quilômetros que ainda iremos superar, tenho certeza, no dia que será o melhor de todos, quando finalmente vamos poder nos ver, vamos poder nos abraçar, no dia em que todos esses anos de espera vão finalmente acabar. No final, eu soluçava, sem largar a carta, e tentando não molhar ela inteira com as minhas lágrimas. Essa pequena escreveu coisas tão lindas... tão, tão lindas. Eu amei, amei, AMEI, assim mesmo, em maiúsculas, negrito e sublinhado, quase tanto quanto eu amo a pessoa incrível que a escreveu. Por que essa japinha me conquistou, me cativou de uma maneira inexplicável, inigualável, e eu tenho certeza de que, não importa quanto tempo passe, ou quantas outras pessoas passem pela minha vida, o lugar que ela ocupa na minha vida hoje vai ser pra sempre dela.
Minha yonsei favorita, minha best, meu amorinho, obrigada por tudo, tudo mesmo que tu já fez, disse, escreveu nesses três anos, por todas as conversas, por todas as risadas, e até mesmo pelas broncas. Obrigada por ter estado aqui, mesmo estando aí. Obrigada por ser exatamente como e quem tu é. Aishiteru muitão forevermente. <3
Nenhum comentário:
Postar um comentário